A crise político-militar na Guiné-Bissau e a crise financeira internacional dominaram a reunião do Comité África da Internacional Socialista, que durante dois dias reuniu, na cidade da Praia, dezenas de delegados oriundos da África e da Europa.
Segundo o presidente do PAICV, José Maria Neves, durante a reunião houve uma “claro debate” sobre a situação da Guiné-Bissau, tendo os participantes condenado todas as sublevações militares e defendido o regresso à ordem constitucional neste e noutros países envoltos em crise política na região africana.
A orientação foi no sentido de os partidos membros trabalharem para chegar ao poder sem recurso a golpes de Estado.
“Já não há lugar a golpes em África e, portanto, todos os partidos da Internacional Socialista devem condenar firmemente qualquer golpe de Estado”, disse, adiantando que as orientações vão no sentido de trabalhar para a restauração da ordem constitucional, designadamente na Guiné-Bissau e no Mali.
Outra recomendação foi no sentido de encorajar os partidos dos países onde não haja ainda total liberdade e democracia a continuarem a trabalhar juntos de modo a ganharem mais espaço de liberdade e assim conseguirem, através de eleições livres e transparentes, chegar ao poder e governar de forma democrática.
A questão da crise financeira internacional também mereceu destaque na reunião da Praia, cujo objectivo principal foi preparar o XXIV congresso da organização, a ter lugar nos dias 31 de Agosto e 01 de Setembro em Joanesburgo, África do Sul.
Segundo José Maria Neves, que poderá ser um dos candidatos à liderança do Comité África no próximo congresso, a Internacional Socialista tem uma posição “muito clara” de que é preciso continuar a trabalhar para que haja crescimento da economia na região.
“É continuarmos a trabalhar para que haja sobretudo uma política voltada para a geração de emprego e para a realização de fortes investimentos que dinamizem a economia e que possam garantir investimentos para as áreas da educação, da saúde e da protecção social”.
“Não podemos abordar a crise com políticas tradicionais de mera autoridade sem considerar outros aspectos que têm a ver, designadamente com a melhoria da qualidade de vida das pessoas”, acrescentou o presidente do PAICV, também primeiro-ministro de Cabo Verde.
“A crise financeira e as perspectivas na região africana e no contexto mundial”, “Paz e multilateralismo na resolução dos conflitos em África” e “O avanço e o reforço da democracia no continente africano contra as formas autoritárias do exercício de poder” foram alguns temas apresentados e debatidos durante os dois dias de trabalho.
C/ Inforpress
